CNN questiona documentário sobre Pelé: “legitima ou ameaça legado?”

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Fonte: Reprodução/Netflix

No início de março, a Netflix lançou um documentário sobre Pelé, para muitos o maior jogador de futebol de todos os tempos. A produção, cercada de expectativas, retrata não só a vida futebolística do brasileiro, mas também as polêmicas que envolveram, por exemplo, sua proximidade com os militares durante a ditadura que perdurou no Brasil entre 1964 e 1985.

Ao vasculhar o próprio passado, Pelé passou a ser questionado não só por seus admiradores, ávidos por histórias curiosas e novidades acerca da sua trajetória, mas também por aqueles que não manifestam simpatia pela trajetória esportiva e pessoal do rei do futebol. Aos 80 anos, o mineiro de Três Corações teve a vida exposta. Para muitos, a produção foi uma ovação ao brasileiro. Para outros, colocou em xeque seu legado.

O filme traça a ascensão de Pelé, culminando com indiscutivelmente a coroação da glória da carreira ao vencer a Copa do Mundo de 1970, disputada no México. Naquele momento, é bom lembrar, Pelé vinha de uma Copa ruim, a de 1966, e era questionado se ainda poderia render em alto nível com a seleção.

Era também questionado se poderia liderar o time brasileiro na Copa. Apesar de ter conquistado dois mundiais, ele havia sido parcialmente protagonista. Em 1958, tinha apenas dezessete anos e não atuou em todos os jogos. Quatro anos depois, se machucou e viu outros atletas decidirem, como Garrincha e Didi. A Copa de 1970, portanto, foi a afirmação de Pelé e sua glorificação.

O legado de Pelé a partir do documentário foi feito em longo texto publicado pela CNN. A rede britânica conversou com os diretores responsáveis pela produção do documentário. O diretor David Tryhorn disse à CNN Sport que Pelé estava disposto a dissecar todos os momentos da sua vida, mesmo aqueles delicados, para a produção do documentário. “Nosso desafio era tentar ficar por trás dessas respostas padrão e fazer com que ele se aprofundasse um pouco mais nas lembranças de coisas que aconteceram há 50, 60 ou 70 anos”, afirmou.

Embora os cineastas pudessem ter se concentrado no futebol, Tryhorn afirmou que desde o início estava determinado a entregar um produto diferente de tudo que já foi feito. Uma figura icônica da estatura de Pelé merecia um documentário definitivo”, disse o diretor ao longo da entrevista.

Ao longo da reportagem, a CNN explica aquilo que os diretores buscavam. Retratar as nuances das principais conquistas de Pelé no mundo do futebol e também mostrá-lo como um ser humano capaz de errar. Em paralelo, a publicação destaca o momento físico pelo qual Pelé passa atualmente, com dificuldade de locomoção e precisando de apoio constante para atividades simples.

Quando questionado durante o documentário se sua visão sobre a ditadura mudou ao longo do tempo, Pelé enigmaticamente deixa a pergunta pairando no ar: “Minha porta estava sempre aberta. Todo mundo sabe disso. E isso inclui quando as coisas estavam realmente ruins.”

Naquele momento, os militares utilizaram a seleção brasileira e a conquista do Mundial de 1970 para dar ares de sucesso à ditadura, algo que se comprovou mentiroso anos depois, com inflação alta, casos de corrupção em massa e diversos casos de tortura e assassinato pelas mãos dos militares.

O texto da CNN termina dizendo que a obra pode ajudar nos questionamentos sobre qual o real lugar de Pelé no panteão dos craques mundiais. Se é superior a Messi ou Cristiano Ronaldo, por exemplo. Se foi superado por Diego Maradona, ídolo argentino falecido há alguns meses. Não há uma conclusão exata, mas as últimas linhas afirmam que Pelé foi um homem que “sofreu por sua arte”.



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