Diego Cerri trabalhou no cargo de Diretor Executivo do Bahia desde o fim de 2016 até dezembro de 2020. Fora do clube há cinco meses, o profissional falou pela primeira vez, afirmou ter comemorado o título da Copa do Nordeste e revelou a sua “herança” para o elenco tricolor de 2021.

Em entrevista ao repórter Thiago Pereira, do site ge.globo, Cerri comentou sobre o acúmulo de trabalho nos quatro anos e meio à frente do futebol do Bahia. Ele, inclusive, ficou um longo período afastado das funções, em 2020, por ter sido diagnosticado com Síndrome de Burnout, que significa esgotamento extremo associado ao estresse.

“Acabei não conseguindo parar um dia. Não tive Natal, não tive ano novo, não tive nada. Via no clube aquele clima de relaxamento no fim do ano, todo mundo se preparando, falando de viagem. E é uma época que você passa por toda a pressão, quando pensa em descansar, mas é hora de reformular tudo para o ano seguinte. Esse acúmulo foi complicado. Eu passei dos limites, mas serviu de lição”.

Cerri participou ativamente da montagem do elenco do Bahia em 2017, que culminou no tri do Nordestão. Mesmo fora do clube, ele afirma ter comemorado como torcedor a conquista do tetra.

“Na hora do título, me ligaram do vestiário. Foi uma chamada de vídeo. Fiquei muito contente. Mandei para eles uma foto de meu filho Caíque e o amigo dele ajoelhados na bandeira do Bahia na hora do pênalti. Você se envolve com o clube onde trabalha tanto tempo. Não tem jeito”.

Herança deixada para o elenco de 2021

Mesmo sem ter participado de nenhuma das negociações que resultaram nas contratações de 2021, Diego Cerri garante ter participado, ao menos, da avaliação de alguns nomes importantes.

Ele revelou que tentou contratar Conti e Thaciano, realizando viagens e propostas oficiais pelos dois atletas, mas nas ocasiões os clubes não liberaram. O mesmo aconteceu com Luiz Otávio.

“Germán Conti, cheguei a viajar, fui para Lisboa. Mandamos algumas propostas. Pedi ao Guilherme Bellintani para ligar para o vice-presidente do Benfica. Ele (Conti) simboliza uma coisa que a gente fazia de rotina no clube. As pessoas, às vezes, acham que a gestão era centralizadora. Ninguém faz nada sozinho. Eu ficava no DADE, muitas vezes, até três horas da manhã, em imersão, ficava junto com o pessoal de análise. Gostamos dele, e tomei a decisão de me aprofundar e partir para a contratação. Mandamos propostas, mas o Benfica quis que ele ficasse lá para adaptação. Agora se materializou a contratação dele”.

“Thaciano mandei mais de quatro propostas. O empresário dele eu conheço bem, já estava na cabeça dele vir para o Bahia, de tantas vezes que procurei. O Grêmio segurou. Sabiam que ele é bom jogador, os atletas do elenco gostavam dele, mas houve um desgaste com a torcida. Chegou a um ponto em que o Grêmio liberou”.

Cerri também falou sobre as contratações de Matheus Teixeira, Patrick e Matheus Bahia, que vieram como apostas e que hoje são titulares do elenco principal.

“Matheus Teixeira nós trouxemos do Palmeiras. O Rogério Lima, que é preparador de goleiros, junto com a equipe, trabalhou pra caramba com esse menino, que é muito humilde, muito dedicado. A gente nem sabia o que ia virar. (…) Patrick topei trazer como aposta, mas o que pesou muito foi que tive a ideia de convidar (Carlos) Amadeu para treinar o sub-20. Um baita profissional. Tive a ideia de trazê-lo. Ele veio e tinha trabalhado com Patrick, conhecia ele. Ele falou e trouxemos ele. Já o Matheus Bahia a gente tinha trazido um pouco antes. Ele estava aqui perto. Era vinculado ao Jacuipense. Trouxemos um pouco antes para terminar a base e ir para o time de transição”.

Para 2021, a diretoria executiva optou por reformular o departamento de futebol. Lucas Drubscky, Júnior Chávare e Renê Marques foram contratados para funções que se complementam.



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