Nas últimas semanas, casos envolvendo problemas cardíacos assustaram o futebol mundial. Depois de ter uma arritmia cardíaca detectada, o argentino Sergio Kun Agüero decidiu interromper a carreira.

Durante treino do Atlético-GO, o jovem zagueiro Fellipe, de apenas 18 anos, teve duas paradas cardiorrespiratórias e ficou internado em estado grave. E na última terça-feira (23/11), o brasileiro Riuler de Oliveira, jogador do Shonan Bellmare, do Japão, morreu vítima de um infarto.

Somados ao grave episódio do meia dinamarquês Eriksen na Eurocopa, os casos recentes desse tipo de anomalia retomaram uma preocupação vivida no início da década de 2000 e reacenderam o sinal de alerta sobre este perigo para os jogadores e atletas de forma geral.

Detecção e prevenção

Rogério Agnello é cardiologista e já trabalhou em equipes de futebol do DF. O especialista diz que o incidente com o dinamarquês foi um episódio escasso, mas que precisa de uma atenção mais do que redobrada quando acontece.

“É um caso raro de acontecer, mas quando acontece é de uma emergência, de uma gravidade muito grande. A parada cardiorrespiratória quando acontece em qualquer lugar, seja no shopping, no trabalho, na academia, ele tem que ser abortado o mais rápido possível”, diz.

Por ter atuado em equipes de futebol, o médico lamenta que, no Brasil, alguns times não tenham todo este aparato disponível em suas partidas. “A CBF exige uma UTI móvel nos jogos, com todo o material necessário para atender esses casos de urgência. Infelizmente, alguns clubes não possuem essa estrutura. Alguns clubes nem médicos têm. Alguns dirigentes também possuem uma mentalidade complicada, acreditam que fazer avaliação médica nos seus atletas é um gasto para o clube e na realidade é um investimento. Imagina você fazer uma avaliação cardiológica bem preparada com todos os exames. Isso minimiza e muito essas situações, como foi esse caso”, conta o especialista.

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A vida depois do susto

Ele é o recordista de gols de uma edição do Brasileirão na era dos pontos corridos, com 34 gols anotados em 2004, com a camisa do Athletico-PR. Campeão brasileiro com o Fluminense em 2010 e ídolo no Tricolor. Um currículo de grandes jogadores do futebol nacional.

Mas quem conhece Washington, o Coração Valente, sabe que a história vitoriosa do atacante nascido em Brasília teve um momento de apreensão e preocupação. Em 2002, o jogador, que atuava no Fenerbahce-TUR, precisou passar por uma angioplastia e um cateterismo após um pré-infarto, para depois retomar a carreira.

“São casos com desfechos diferentes. No meu, foi o susto, eu tinha 27 anos. Mas graças a Deus consegui retomar a carreira e conquistar muitas coisas. No caso do Agüero, infelizmente ele teve que parar já no final da carreira e não deixa de ser triste, mas ele conquistou muito no futebol”, compara Washington, em entrevista ao Metrópoles.

Preocupação

Washington acompanhou de perto casos como o do zagueiro Serginho, jogador do São Caetano, que morreu após um problema cardíaco em um jogo do Brasileirão de 2004 contra o São Paulo, no Morumbi, e do camaronês Marc-Vivien Foé, que faleceu um ano antes durante uma partida da Copa das Confederações.

“Nós ficamos muito assustados com esses casos que infelizmente voltaram a acontecer. O futebol hoje em dia, assim como sempre foi, é um esporte que exige muito da parte física do atleta. A gente fica triste pelo caso do Riuler, um garoto muito novo, com o futuro toda pela frente”, lamenta.

“Fica o sinal de alerta para que os clubes deem mais importância para esta parte, muitos já dão, mas continuar dando muita ênfase nisso, que é assistir os atletas nesse sentido. Os clubes têm feito mais na parte da cardiologia, e o que é o certo, pois é a vida desses jogadores”, analisa.

Hoje, aos 46 anos, o brasiliense realiza seus exames periodicamente e leva uma vida normal, mantendo seu faro de artilheiro em competições como a Copa Brasil World Legends, com a camisa do Internacional.

Washington também tem um pé na política. Em 2012 elegeu-se vereador pelo munícipio de Caxias do Sul-RS e é ex-secretário nacional do esporte. Atualmente é comentarista do SBT e mora em Sergipe.

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