Um corredor determinado, com os pés no chão: assim era o atleta da Etiópia Abebe Bikila, bicampeão olímpico que ganhou fama depois de vencer uma prova correndo descalço. A carreira do atleta foi curta e marcante: em 25 de outubro de 1973, aos 41 anos, Bikila sofreu uma hemorragia cerebral e não resistiu.

A trajetória internacional do atleta durou pouco mais de dez anos, mas Abebe Bikila conquistou grandes vitórias para a Etiópia. Depois de assistir aos Jogos Olímpicos de Melbourne na televisão, Bikila – que trabalhava na guarda imperial do país africano – despertou interesse em participar de competições.

Em 1960, aos 28 anos, estreou na Olimpíadas de Roma. Convocado de última hora para substituir um atleta que havia se machucado, Bikila não tinha sapatos do seu número e decidiu correr descalço. Surpreendendo a todos, o atleta venceu a maratona olímpica: ganhou com uma diferença de 200 metros do atleta Abdesiem Rhadi Ben Abdesselem, do Marrocos. Durante a celebração da vitória, Bikila foi carregado nos braços por uma multidão.

Ao ser perguntado por que correu sem sapatos, Bikila respondeu que gostaria que o mundo soubesse que a Etiópia sempre venceu com determinação e heroísmo. Em 1964, Bikila passou por um procedimento para retirada do apêndice 40 dias antes da maratona dos Jogos Olímpicos de Tóquio, no Japão. A cirurgia não impediu que o atleta participasse da competição e que cruzasse a linha de chegada em primeiro lugar – mais uma vez, sem demonstrar cansaço.

O público de 75 mil pessoas foi à loucura. Com quatro minutos de vantagem, Bikila completou a maratona em 2h12min11s, melhor tempo de prova já alcançado até então. A façanha também fez de Bikila o primeiro bicampeão de maratona em Olimpíadas. Na Olimpíada do México, em 1968, depois de 15 quilômetros, Bikila se sentiu mal e abandonou a corrida. Essa foi a última maratona com a participação do atleta.

No ano seguinte, em 1969, Bikila sofreu um acidente de carro e perdeu o movimento das pernas. Mas a carreira do atleta ganhou outra direção: Bikila passou a competir no arco e flecha e até conquistou medalha de ouro em uma corrida de trenós na Noruega.

Quando Bikila morreu, quatro anos depois, mais de 75 mil pessoas compareceram ao velório para se despedir do atleta em Addis Ababa, capital da Etiópia. Com a morte do herói nacional do país, o imperador proclamou um dia nacional de luto em homenagem ao atleta.

História Hoje

Produção: Beatriz Evaristo

Sonoplastia: Messias Melo

Apresentação: Márcia Dias

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