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Fonte: Pixabay

O primeiro jogo entre times locais ocorreu em 1902, no Velódromo, em São Paulo. Ali surgia o que mais tarde seriam os campeonatos estaduais – e a primeira etapa para as equipes.  Afinal, depois das disputas regionais, os times costumam ir para torneios nacionais e até internacionais.

Durante muito tempo, os campeonatos estaduais eram reverenciados pelos torcedores. Ganhar um Campeonato Baiano, por exemplo, era motivo de alegria e até anos. Porém, agora já não é mais assim. Apesar de o esporte ser o mesmo, ele disputa a atenção dos fãs com disputas nacionais e internacionais. Ou seja, as disputas locais passaram a ser menos importantes do que outras.

Tanto que o público nos estádios vem caindo nos últimos anos. Segundo levantamento sobre os estaduais de futebol conduzido pela Betway, site de apostas esportivas, as arquibancadas não estão mais lotando em jogos entre times do mesmo estado. A média de pagantes no Campeonato Baiano chegou a 3659 pessoas em 2017.

Por isso, a maior parte dos times já nem conta com o faturamento das bilheterias. A maior fonte de renda deles tem sido os direitos de transmissão das emissoras. Na Bahia, o Vitória e o Bahia, que são os maiores clubes, receberam cerca de R$ 850 mil em 2020 pela cota de TV estadual. O valor, no entanto, não é capaz de cobrir as despesas com os salários.

Por sua vez, a cota da TV para a Copa do Nordeste chegou a mais de R$ 34,6 milhões em 2020. Vale notar que o valor é dividido entre os clubes de acordo o ranking, mas que, mesmo assim, rende mais do que a venda de ingressos.

Desafios atuais dos campeonatos estaduais

O futebol estadual vive um momento emblemático, principalmente porque disputa a atenção com outros torneios. “Acho que o que mudou foi o mundo”, afirma com exclusividade o professor de jornalismo Celso Unzelte à Betway. “Em 1977, quando o Corinthians ganhou o Campeonato Paulista, o sentimento era de campeão do mundo porque o nosso mundo era aquilo. O mundo passou a ser outra coisa”. 

Além do mais, como há sempre um jogo acontecendo, o torcedor já não sabe o que está sendo disputado. É um título local ou nacional, por exemplo? Existem situações inclusive que a partida é um amistoso, sem relevância para a história do time.

“Os próprios torcedores não conseguem entender o que é disputado. Isso afeta diretamente os interesses dos torcedores brasileiros. Esse desinteresse influencia diretamente nos negócios e quanto grupos de streaming e redes de televisão pagam por ele”, afirma Pedro Menezes, Senior Business Consulting da consultoria Ernst & Young, para Betway. “Antes era um formato muito bom. (Agora) aconteceu muito, até em conversas sobre futebol com vários amigos, de a gente torcer por um jogo e não saber o que está valendo. Às vezes não valia nada”.

Futuro e oportunidades em campo

Embora seja claro que o interesse dos torcedores não é mais o mesmo, especialistas afirmam que os estaduais ainda são importantes. O que eles talvez precisem, talvez, é de uma reestruturação para que voltem a ter mais força. 

“Eu não acho que o deficitário é o campeonato, mas como ele é organizado. Quando você tira as duas principais torcidas do estado, você está dizendo que haverá um esvaziamento. Até na fala da torcida existe uma desvalorização do estadual. Eu, como administradora de um clube, faço um esforço, os investimentos que estamos fazendo, e não existe uma valorização para aquele trabalho. Quer dizer que o estadual é só para dar uma vaga para quem vai para a Copa do Brasil e já sabemos quem vai ganhar? Este ano fiquei muito irritada porque fizeram uma publicação, da própria federação, colocando o campeonato como manjadinho”, reclama a presidente do Atlético Cearense Maria José Vieira.

O que se percebe em todos esses anos de futebol é que os estaduais podem ser uma vitrine de grandes jogadores. Esses campeonatos podem oferecer a experiência que os jovens atletas precisam para jogar e se destacar.

“A valorização dos campeonatos estaduais deveria ser repensada, até mesmo pela CBF, para qualificarmos os atletas porque sem esse nível de competição e minutagem de jogo, o atleta vai ficando cada vez mais escasso no mercado”, conclui Vieira.

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